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Após PF ver uso de fintechs por facções, auditores da Receita lamentam fim de regra que ampliaria fiscalização do Pix

Regra em questão foi revogada no dia 15 de fevereiro pelo governo, após a propagação de fake news que afirmavam, erroneamente, que o Pix seria taxado. Após operação da Polícia Federal nesta terça-feira (25), que investiga o uso de fintechs para lavagem de dinheiro do crime organizado, auditores da Receita lamentaram revogação da norma que ampliaria fiscalização sobre essas companhias e o Pix.
A regra em questão foi revogada no dia 15 de fevereiro pelo governo, após a propagação de fake news que afirmavam, erroneamente, que o Pix seria taxado.
A oposição fez ampla exploração desse boato, que acabou mobilizando a população, e o governo voltou atrás na medida.
A medida da Receita Federal não criava impostos sobre transações via Pix, mas previa a inclusão das fintechs na obrigação de informar ao Fisco movimentações acima de R$ 5 mil por mês para pessoas físicas e R$ 15 mil para empresas, o que já acontece com cartões de crédito e contas bancárias tradicionais.
Auditores alertam para brechas usadas pelo crime
A Unafisco Nacional, que representa os auditores fiscais, criticou a decisão e alertou que organizações criminosas estão criando seus próprios bancos digitais para movimentar dinheiro sem chamar atenção das autoridades. Essas fintechs são usadas para pagamentos internos, operações de câmbio e transferências disfarçadas via Pix e TED, dificultando o rastreamento do fluxo financeiro ilícito.
“A suspensão da IN preservou brechas para a atuação de doleiros e organizações criminosas, que encontram nas fintechs um ambiente favorável para lavagem de dinheiro e remessa ilegal de dólares”, afirmou a Unafisco em nota.
O vice-presidente da Unafisco Nacional, Kleber Cabral, destacou que a principal mudança proposta pela norma revogada era incluir instituições financeiras digitais que, até então, não tinham a obrigação de reportar movimentações à Receita Federal.
“A desinformação e a má comunicação governamental levaram à suspensão da medida, favorecendo os interesses do crime organizado”, disse Cabral.
Menos fiscalização facilita lavagem de dinheiro
Com a revogação da norma, voltaram a valer regras mais frouxas, que exigem comunicação à Receita apenas quando os valores ultrapassam R$ 2 mil para pessoas físicas e R$ 6 mil para empresas. Para os auditores fiscais, isso cria uma brecha que permite que grandes movimentações passem despercebidas, favorecendo a ação do crime organizado.
“Há registros de organizações criminosas criando seus próprios bancos digitais para efetuar pagamentos, transferências internas e simular transações, dificultando o rastreamento pelas autoridades”, alertou a Unafisco.
A entidade defende três medidas urgentes para reforçar o combate à lavagem de dinheiro:
📌 Regulamentação de fintechs e bancos digitais, para impedir que sejam usadas como “paraísos financeiros” do crime organizado.
📌 Melhoria na comunicação oficial, para evitar novas fake news sobre o tema.
📌 Ampliação da fiscalização, restaurando regras mais rígidas para monitorar grandes transações financeiras feitas por bancos digitais.
A Receita Federal estuda alternativas para fortalecer o rastreamento dessas operações, mas auditores fiscais alertam que, enquanto novas regras não forem criadas, o crime organizado continuará se aproveitando da menor fiscalização para movimentar dinheiro sem ser detectado.

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